quarta-feira, 31 de julho de 2013

Série - Método de ensino PBL: a ALTERNATIVA que gera admiração e repúdio - Capítulo 3

Desenho de autoria não vinculada ao Dr. Saúde, em que se demonstra apoio ao PBL.


A seguir, opiniões diversas de alunos que estudam em faculdades de Medicina que deixaram o modelo tradicional e hoje seguem o modelo ABP (PBL) de ensino:

Pontos negativos do PBL:

·         Constrangimento do aluno mais reservado.
·         Exacerbação da competitividade nas turmas, o que facilita desentendimentos entre os alunos.
·         Sensação de um saber superficial e impreciso.
·         Estudo fragmentado dos conteúdos, o que prejudica a real aquisição de conhecimento  - ou seja, divisão em módulos.
·         Muita informação simultânea, e pouco tempo para estudo.
·         Precocidade de conteúdos avançados, o que pode comprometer a compreensão gradual do básico para o mais complexo.
·         Pouco tempo de estudo fora do tempo de aula.
·         Falta de direcionamento nos estudos.
·         Falta de mais aulas teóricas para se ter uma melhor percepção da prática.
·         Em alguns casos, pouca atenção dada a áreas importantes para a Medicina, como Genética Humana e Bioquímica.
·         Falta de professores devidamente qualificados para transmissão de conteúdos por meio de grupos de discussão.
·         Sensação do aluno “de estar perdido” em sala, muito em razão da falta de direcionamento adequado do conteúdo a ser estudado.
·         Decoreba de casos clínicos associada à falta de conteúdo teórico.
·         Excesso de seminários e, muitas vezes, pouco efetivos na transmissão de conteúdos.
·         Falta de respeito à grade horária, dependendo, em muitos casos, da disponibilidade do professor naquele determinado dia.
·         Muitas aulas ministradas pelos próprios alunos, que ainda não possuem a devida experiência nem formação para transmiti-las.
·         Tensão no ambiente de aprendizagem, em que o aluno é forçado a ter uma iniciativa a respeito de assuntos ainda não muito bem abordados ou sequer vistos.
·         Sensação de inferioridade por parte de alunos que não se adequam bem ao método.
·         Ênfase em determinados conteúdos em detrimento de outros.
·         Professor apenas como facilitador, e não como responsável pela transmissão de todo o conteúdo.
·         Aprendizagem exageradamente autodirigida.
·         Aprendizagem privilegiando exemplos.
·         Falta de conhecimento prévio.
·         Falta de maturidade do aluno para compreensão do que é realizado no ambiente de aprendizagem.
·         Estresse e desorientação do aluno.
·         Percepção da dificuldade do professor em repassar conteúdos mais básicos por meio de casos clínicos.

Pontos positivos do PBL:

·         Antecipa o contato direto com o paciente.
·         Estimula a comunicação e o conhecimento antecipado de termos médicos.
·         Incentiva o aluno a ter a iniciativa de buscar o conhecimento por conta própria.
·         Prioriza bastante o modelo de Assistência Básica à Saúde.
·         Antecipa a ambientação do aluno nos locais do exercício da carreira médica ( externamente ao espaço da faculdade ).
·         Garante maior liberdade de discussão aos alunos, permitindo o desenvolvimento de um raciocínio melhor direcionado e, por fim, mais objetivo.
·         Facilita o contato professor-aluno.
·         Quantidade de atividades práticas e de discussões geralmente superior ao modelo tradicional.
·         Sensação prematura de já estar exercendo a futura profissão.
·         Auxilia na interpretação de casos clínicos.
·         Garante significativa interdisciplinaridade.
·         Estimula o trabalho em grupo.
·         Metodologia dinâmica.
·         Desenvolvimento do empreendedorismo e da capacidade de inovação.
·         Desenvolvimento do espírito crítico e maior confiança em diagnosticar.
·         Maior repasse da Ética Médica.
·         Ensina a detectar questões-chave de casos clínicos exemplares.
·         Maior interação com a realidade médica.

Último capítulo na próxima postagem.

Dr. Saúde.

Série - Método de ensino PBL: a ALTERNATIVA que gera admiração e repúdio - Capítulo 2


Os estudos trouxeram evidências de que certas competências recomendadas pelas diretrizes brasileiras sobre formação médica, a exemplo das relacionadas à área social, foram mais bem alcançadas nos cursos que adotaram o modelo pedagógico da ABP do que naqueles que seguem um modelo tradicional. A ABP pode ser um caminho para a participação ativa do aluno na construção do conhecimento e a integração entre os conteúdos, também recomendada pelas diretrizes curriculares.

Essa recomendação, entretanto, deve ser situada como uma alternativa e não como norma a ser seguida pelos cursos brasileiros de Medicina, uma vez que, como evidenciado nos diferentes estudos revisados, ainda são necessárias avaliações tanto dos resultados quanto do processo da adoção da ABP na formação médica. Por outro lado, ainda não há publicações de pesquisas de avaliação brasileiras que comparem o curso ABP com o curso de currículo tradicional. Isto indica a necessidade da realização de estudos para que os resultados internacionais desse novo formato de curso sejam validados em âmbito nacional.

Com base em pesquisa com graduados em Medicina, pacientes e gestores dos graduados, apesar de serem pontuados limites, esses autores apresentam resultados positivos dessa experiência. Relatam que, na ótica dos graduados, o curso proporcionou uma formação humanista, o aprender a aprender, a convivência com outros profissionais e a integração teoria-prática. Em relação aos pacientes e aos gestores entrevistados, destacam que os primeiros consideraram que os egressos eram cuidadosos, respeitando-os e escutando-os, enquanto os segundos reconheceram que a atuação do egresso ia além do foco da doença.

Com base no exposto, observa-se que o uso da ABP na graduação médica pode ser uma alternativa para a implementação das diretrizes brasileiras sobre a formação médica. Entretanto, como observam Gomes et al, a eficácia de cursos ancorados na ABP não depende apenas de ações eficientes relacionadas ao planejamento e à gestão curriculares. Depende também da articulação entre currículo e realidade profissional, para que haja reorientação de saberes e de práticas tanto no espaço acadêmico como fora dele, aí incluído, o âmbito do sistema de saúde, buscando, assim, as mudanças positivas que se pretende obter.

Evidentemente a personalidade dos alunos e o método de ensino adotado devem se relacionar bem, principalmente quando se refere à autoaprendizagem, sendo este um dos pontos questionados por alunos e coordenadores. Essa afirmação encontra apoio no que Hadgraft(1993) pontua: “Os alunos devem ser informados ainda no início da dinâmica de tal metodologia sobre como ela irá prepará-los para situações que encontrarão nas práticas profissionais”. Talvez, olhando por esse lado, faz-se necessário que as universidades ofereçam aos seus alunos métodos diversos, pois o que é mais importante não é simplesmente o método, e sim o profissional que se obterá.

As universidades experimentam um momento de profundas reflexões sobre o processo de condução da formação profissional, assim, uma análise crítica deve surgir tanto de faculdades que possuem este método quanto daquelas que ainda se baseiam no método tradicional, sempre em busca de um ensino qualificado. Pois um ponto negativo de um pode ser suprido pelo positivo do outro. Dessa maneira, não é necessário que a ABP seja algo imposto e limitado, mas que ela também esteja sujeita a mudanças, opondo-se ao que Briani(2001) questiona: “Apesar de essas novas propostas de ensino centralizarem no aluno, na resolução de problemas, tendem a desenvolver experiências copiadas, sem reflexão crítica, de modelos de ensino de outras nações, não conseguindo problematizar a organização do currículo no contexto da sociedade contemporânea, nem discutir demandas econômicas, políticas ou questões ideológicas envolvidas na formulação desse currículo”.

Assim, as faculdades devem analisar quais são os pontos positivos e negativos na visão de seus alunos e professores, uma vez que a boa qualidade de um método é consequência da sua boa aplicabilidade.
Segundo a maioria dos estudiosos, pode-se afirmar que não há um método que resolva todos os problemas de ensino-aprendizagem, tampouco um método que garanta colocação no mercado de trabalho e sucesso na vida profissional do egresso, mas há alguns métodos que promovem a satisfação, não de todos, mas da maioria dos estudantes.

Numa pesquisa realizada por Ribeiro e Mizukami(2005)em uma universidade de São Paulo no curso de engenharia que utiliza a ABP, concluiu-se que a maioria dos alunos avaliou a ABP satisfatoriamente. Neste estudo uma minoria observou algumas desvantagens, entre elas, a dependência constante da motivação do estudante pela procura do conhecimento; outra é que o método, forçando o aluno a participar, por vezes, pode inibí-lo em razão de sua personalidade mais reservada.

No geral, os professores avaliaram positivamente o método. Assim como os alunos, eles afirmam que este cria mais interesse e dinâmica nas aulas, o que provavelmente favorece os estudantes na aquisição de conhecimento e desenvolvimento de habilidades e atitudes.
Acreditam que o método é mais eficiente na promoção do ensino autodirecionado e pensamento crítico, se comparado com o método tradicional, e que demanda maior maturidade e maior motivação intrínseca dos estudantes.

Vários estudos foram realizados na Faculdade de Marília, pioneira da ABP no Brasil. Um deles foi um questionário aplicado aos alunos de Medicina. Este analisou temas gerais sobre a Ética Médica, assunto considerado imprescindível na integralidade que o curso de Medicina exige. Os resultados foram os seguintes: o modelo ABP dá chance de distribuir o tema em vários módulos e tutorias durante o curso médico, destacando que a variável mais importante é o tempo de exposição ao tema. O estudo sugere fortemente que, quanto antes se introduzir no currículo médico a reflexão sobre aspectos éticos, maior será a possibilidade de apreensão e reflexão sobre o tema pelos acadêmicos (FIGUEIRA et al., 2004).

Em outro estudo, foi analisada a organização dessa metodologia nesta mesma faculdade. Os coordenadores pontuaram que a aplicação da ABP vai se tornando cada vez mais eficiente a partir do momento em que ocorre uma análise do método aplicado, procurando sempre corrigir pontos negativos; assim, o ensino só tende a melhorar a partir do amadurecimento da ideia sobre que o método implica. Destacam que devem ser observados mínimos detalhes, exemplificando com uma experiência vivenciada nessa faculdade, onde inicialmente a construção de problemas refletia em uma justaposição de conteúdos, que não produzia contexto e cenários relevantes para estimular a aprendizagem.

Afirmaram que os estudantes tiveram papel fundamental em denunciar os erros de cada problema, o que indica que suas atuações, suas criticas e opiniões são essenciais no processo de aplicação da ABP, sem esquecer a participação do corpo docente (BARROS; LOURENÇO, 2006).

Pesquisas realizadas na perspectiva dos alunos de cursos de Medicina e de Odontologia revelam a satisfação com o método em comparação com o formato tradicional de ensino, principalmente em relação ao estímulo que a atividade clínica, integrada com disciplinas básicas, já no início do curso, é capaz de despertar. Além disso, apontam como vantagem a flexibilidade de horários e o trabalho em equipe. Por outro lado, os mesmos alunos preocupam-se em estar adquirindo conhecimentos apenas superficiais, em estarem gastando mais tempo com a busca das soluções das atividades propostas e em ficarem sobrecarregados pela falta de comprometimento de alguns membros do grupo de estudo. Assim, em alguns casos os estudantes sentem a necessidade de aulas tradicionais, que confirmariam os conhecimentos adquiridos, funcionando como um feedback do processo de aprendizagem (SALIBA,2008).

O ABP é descrito positivamente pela maioria, porém, cabe ressaltar que ainda são necessárias amplas avaliações no processo de adoção da ABP na formação de profissionais, pois existem vários empecilhos à sua aplicação.

A visão que deve ganhar mais destaque é a dos acadêmicos, pois a maneira como o ensino superior é cursado refletirá em um futuro não muito distante, no qual um método pode fazer a diferença. Assim, as mudanças devem basear-se no questionamento destes, que sabem se possuem ou não conhecimento suficiente.

Capítulo 3 na próxima postagem. 

Dr. Saúde.

Série - Método de ensino PBL: a ALTERNATIVA que gera admiração e repúdio - Capítulo 1



As discussões sobre a formação médica, além de se voltarem para a revisão dos conteúdos curriculares, também vêm repensando as metodologias de ensino no sentido de torná-las mais adequadas ao perfil do profissional que se quer formar.

A concepção da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), do original Problem-based Learning (PBL), vem se destacando como proposta metodológica que pode responder aos anseios de mudança curricular dos cursos de Medicina no País e no cenário mundial. O debate em torno da ABP é longo. Há mais de 30 anos tal proposta vem sendo implementada, avaliada, criticada e defendida. A utilização dessa concepção pedagógica nos cursos de Medicina no mundo inteiro tem como referência as ideias originais de Barrows e Tamblyn.

Perrenoud, por exemplo, ao tratar a clínica como o momento da construção de saberes, de certa forma, retoma esse modelo pedagógico para analisar a formação médica, regida por uma lógica que tenta romper com o acúmulo mecânico de informações propedêuticas antes da inserção dos futuros profissionais médicos em atividades da prática profissional. Segundo esse autor, na ABP, a formação ocorre por meio da resolução de problemas estruturados pelos professores para que os alunos, pouco a pouco, construam o conhecimento necessário à resolução de problemas reais no futuro.

No modelo pedagógico norteado pela ABP, busca-se, principalmente, fornecer ao estudante condições de desenvolver habilidades técnicas, cognitivas e de atitude aplicáveis tanto para o cuidado dos pacientes, quanto para a manutenção da postura de estudar para aprender pelo resto da vida profissional. Nesse modelo, em que o foco do processo educativo está centrado no estudante, estimula-se a capacidade de autoformação, fomentada pela busca ativa de informações. O estudante é estimulado a construir ativamente sua aprendizagem, articulando seus conhecimentos prévios com os de outros estudantes do grupo, para a resolução de problemas selecionados para o estudo, visando ao desenvolvimento do raciocínio crítico, de habilidades de comunicação e do entendimento da necessidade de aprender ao longo da vida.

Essa proposta pedagógica vem sendo avaliada por estudos e pesquisas de vários países, num amplo debate comparativo com o currículo tradicional de Medicina. A análise desses estudos pode servir como ponto de partida para o debate sobre as mudanças metodológicas a adotar para tornar os cursos de Medicina mais adequados às diretrizes curriculares do país. Esse debate pode tanto beneficiar a formação do médico, quanto contribuir para que se repense sobre a forma de inserção desse profissional na área da saúde.

Comparando-se o ABP com o método Tradicional de ensino, quanto a várias competências e habilidades não houve diferença estatística significativa entre os resultados dos dois tipos de curso.
No que se refere aos resultados positivos dos cursos com ABP, observa-se que os graduandos se sentiram mais preparados ou foram avaliados mais positivamente por seus supervisores do que os graduandos dos cursos tradicionais, principalmente, na dimensão social. Nessa dimensão, destacam-se de forma recorrente as competências de comunicar-se de forma eficiente, de efetivar relacionamento interpessoal, de lidar com pacientes de culturas diferentes, de levar em conta os aspectos psicossociais no adoecimento e no tratamento, de atuar em equipe e de lidar com questões éticas. Koh et al, com base em suas revisões sistemáticas, constatam que a ABP desenvolvida nas escolas de Medicina tem efeitos positivos na competência médica após a graduação, principalmente na dimensão social.

No caso do conjunto dos resultados dos cursos de ABP mais bem avaliados que os cursos tradicionais destacam-se também competências relacionadas à prevenção de doenças e promoção da saúde e a compreensão da articulação entre a atenção primária e o hospital. Essas competências, de certa forma, contribuem para que a atuação médica não se reduza à intervenção nem ao sistema hospitalar. Na revisão sistemática de Koh et al, essas competências, classificadas por esses autores na dimensão social, foram avaliadas mais positivamente nos cursos de ABP do que nos de currículo tradicional.

Ainda em relação aos resultados mais positivos nos cursos de ABP do que nos de currículo tradicional, destacam-se capacidades pessoais mais evidenciadas em termos de estudo, autoaprendizagem e busca por conhecimento, maior iniciativa, maior facilidade em lidar com a crítica e com limites pessoais, melhor aceitação das responsabilidades, maior capacidade de lidar com a incerteza, e melhor modo de cuidar da saúde pessoal, bem como do bem-estar. Entre essas capacidades, foram classificadas como de forte nível de evidência nos cursos de ABP por Koh e colaboradores, as capacidades de responsabilidade, de lidar com a incerteza, com a saúde pessoal e com o bem-estar.

Quanto às competências técnicas que envolvem habilidades médicas específicas, cinco foram apontadas com avaliações mais vantajosas nos cursos de ABP do que nos de currículo tradicional em mais de um estudo: realização de história clínica, diagnóstico físico e prescrição, compreensão de princípios de medicina baseada em evidência, uso da informática como ferramenta da pratica médica, realização de sutura e uso do eletrocardiograma. Dessas competências, foram classificadas como de forte evidência na revisão sistemática de Koh et al as seguintes: diagnóstico exato, compreensão de princípios de medicina baseada em evidência e uso do eletrocardiograma.

Em relação às capacidades que não mostraram diferenças significativas entre os cursos de ABP e os de currículo tradicional, as de maior concordância entre os estudos foram: lidar com as próprias limitações, usar laboratório e outros serviços de diagnóstico, elaborar registros exatos, realizar ressuscitação cardiopulmonar e uso da oxigenoterapia com segurança.

Ainda quanto a diferenças estatisticamente não significativas entre o curso com ABP e o de currículo tradicional, destaca-se o achado do estudo de Distlehorst et al, que não encontrou diferenças na primeira e segunda fase do Exame de Licença Médica dos Estados Unidos. Isto significa que o novo formato de formação médica, embora não tenha resultados superiores aos do formato tradicional, não pesou negativamente na certificação profissional de seus egressos.

Por último, observa-se que em três estudos os cursos com ABP tiveram resultados mais negativos do que os cursos tradicionais, nos seguintes quesitos de avaliação: conhecimentos em fisiopatologia, comunicação, envolvimento emocional, entendimento do processo da doença e diagnóstico, tomada de decisão e tratamento (incluindo prescrição).

Observa-se que a utilização da Aprendizagem Baseada em Problemas nas escolas de Medicina tem efeitos positivos após a graduação, principalmente no que se refere às competências da dimensão social. Entretanto, para uma validação mais apurada dos resultados dos estudos analisados, seria importante ter acesso a uma reflexão acerca dos fatores de processo que poderiam ter influenciado os resultados, uma vez que o entendimento e a implementação da ABP possivelmente variam de curso para curso, e até de país para país.

Além disso, é preciso focalizar o que aconteceu ao longo dos cursos para compreender e comparar as características de estudantes cujas atitudes melhoraram ou declinaram durante a formação.
Somado a isso, é preciso haver uma avaliação mais aprofundada dos efeitos desse modelo de formação, pois seria importante comparar o cotidiano da prática dos graduandos com o cotidiano da prática profissional dos egressos dos cursos tradicionais.

Capítulo 2 na próxima postagem.

Dr. Saúde.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ômega-3: nosso grande aliado

Ômega-3: nosso grande aliado



Já é bem conhecida sua fama por proteger as artérias e combater inflamações. Agora, o ômega-3, presente, por exemplo, na linhaça e nos peixes de água fria, mais uma vez surpreende os especialistas, já que tem comprovado ser de grande ajuda na eliminação dos indesejáveis quilos extras.

O ômega-3 é um ácido graxo essencial, sendo, portanto, obtido pela alimentação e se constitui em uma partícula gordurosa importante para o bom funcionamento do corpo. E agora, o argumento irrefutável de que o ômega-3 seria aliado das pessoas acima do peso ideal na reconciliação com a balança chegou para nos convencer de vez sobre a importância de rechear o cardápio com fontes desse nutriente. Além de pescados, como salmão e sardinha, a linhaça fornece doses generosas da substância. Essa destacada ação contra a obesidade foi discutida no XV Congresso Latino-Americano de Nutrição, realizado há pouco no Chile.

No evento, um dos destaques foi a apresentação do nutricionista Dennys Cintra, da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. "Várias experiências apontam que a obesidade estaria relacionada a inflamações, e nós sabemos que o ômega-3 tem um bom potencial anti-inflamatório. Por isso, decidi checar se esse tipo de gordura auxiliaria no emagrecimento", justifica.

O nutricionista primeiro induziu um grupo de ratinhos a ganhar peso, até se tornarem diabéticos de tão obesos, graças a uma alimentação rica em gordura saturada, como a presente na tão apreciada picanha. Então, quando os bichos entravam nesse estado, Cintra examinava seu hipotálamo, região do cérebro que controla a fome. "As partículas de gordura saturada provocaram uma superprodução de citocinas, substâncias inflamatórias que impediam aquela área cerebral de disparar o sinal de saciedade", relata.

O mecanismo ocorre de maneira idêntica nos seres humanos: "Quando nos alimentamos, são secretados os hormônios leptina, pelos tecidos gordurosos, e insulina, pelo pâncreas. Eles avisam o cérebro que chegou a hora de frear o ímpeto de continuar comendo", ensina a fisiologista Tatiana Rosa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porém, a inflamação atrapalha essa troca de informações. Logo, chega uma hora em que, sem conseguir trabalhar direito, as células nervosas responsáveis por brecar o apetite sofrem até a morte.

Na tentativa de interromper esse ciclo, Cintra inoculou, por meio de uma cânula, o ômega-3 no cérebro dos roedores, confirmando que o ácido graxo reverte o processo inflamatório e restabelece a atividade celular. Em seguida, suplementou a dieta das cobaias com óleo de linhaça. "Uma dose baixa do ômega já reduz a inflamação cerebral, a velocidade de engorda e a gordura visceral nos animais. De quebra, ainda aumenta seu gasto energético", diz ele. "Regular a saciedade é fundamental para manter o peso, já que isso evita a fome excessiva e os abusos calóricos", segundo a opinião da fisiologista da nutrição, Regina Watanabe, da Universidade Federal de São Paulo.

Porém, fica a pergunta: Será que, como os roedores dos laboratórios de pesquisa, os seres humanos também desfrutariam dos benefícios anti-barriga do ômega-3? Uma equipe da Universidade de Navarra, na Espanha, resolveu comparar o impacto de duas dietas pouco energéticas, com menos de 1500 calorias diárias, na queima dos quilos extras e na saúde de 32 indivíduos.

Os participantes foram divididos em dois grupos e cada um deveria aderir, durante oito semanas, a planos alimentares distintos. A única diferença entre eles foi a inclusão de três porções semanais de peixes ricos em ômega-3. O peso, os perfis de colesterol e de triglicérides, as taxas de insulina e de leptina foram mensurados no início e no final do experimento. E é claro que, maneirando nas calorias, todos os voluntários conseguiram dar uma esvaziada nos pneus. Mas — adivinhe! — a eficácia da dieta foi bem maior em quem saboreou os pescados. "Houve uma melhora significativa na ação da insulina nessas pessoas", revela Itziar Goñi, a autora do estudo. "Os níveis do hormônio ficaram mais estáveis, evitando picos seguidos de quedas bruscas, desequilíbrio esse que culminaria no aumento da fome."

Tantas façanhas têm justificativa. "O ômega-3 ativa uma proteína celular chamada PPAR-gama. Acelerada, ela melhora a atuação da insulina nas células, facilitando sua tarefa de converter açúcar em energia", descreve Tatiana Rosa. Essa conversão ocorre antes da formação do indesejável pneu na cintura. Ou seja, a molécula dá uma força para quem quer recuperar aquela calça que não entra mais. E não para por aí. "A PPAR-gama também estimula enzimas responsáveis pela degradação de triglicérides", acrescenta Tatiana. "De fato, o consumo dos peixes provocou redução não só nas taxas dessa gordura como nas do colesterol LDL", confirma Itziar - (Obs: O LDL é o colesterol popularmente apelidado de colesterol ruim ). Em outras palavras, o ômega-3 também combate alguns vilões das artérias, prevenindo doenças cardiovasculares. 



E, para completar a lista, outro ponto positivo para o ácido graxo: "Ele regula os níveis de leptina, favorecendo, assim, ainda mais o controle do apetite. Em resumo, embora economizar nas calorias ajude a emagrecer, o ômega-3 é essencial para regular a queima dos depósitos gordurosos e controlar a fome, o que evita os famosos ataques à geladeira, bem como potencializa a diminuição de de medidas. O melhor de tudo é que garantir as doses adequadas do nutriente não é nenhum sacrifício. Basta adicionar, por exemplo, mais peixes à dieta. "Incluí-los nas refeições, de duas a três vezes por semana, é o suficiente", ensina a nutricionista Elisabeth Wazlawik, da Universidade Federal de Santa Catarina. Já a farinha de linhaça é uma ótima alternativa para acompanhar um iogurte ou uma fruta no café da manhã.

Ressalta-se, entretanto, que a forma de preparo desses alimentos faz toda a diferença. Isso porque o ômega-3 sofre oxidação facilmente, perdendo depressa suas propriedades. "Por isso, no caso dos peixes, prefira as receitas ensopadas, em que o caldo desprendido durante o cozimento é aproveitado", sugere Elisabeth. A opção grelhada também é boa, já as frituras, corte-as de vez, pois a alta temperatura degrada a gordura do bem. "Em relação à linhaça, a dica é moê-la só na hora de consumir", avisa a nutricionista. Por fim, substitua, sempre que possível, os tradicionais óleos de milho ou de soja pelo azeite de oliva. Além da parceria da dieta de costume com os filés de peixe ou saladas salpicadas de linhaça ser deliciosa, ela dá uma contribuição extra para quem precisa afinar a cintura.


A fama e o sucesso do ômega-3 não se restringem a auxiliar no combate à barriga. Por exemplo, uma pesquisa, também desenvolvida na Universidade de Navarra
 com 324 pessoas obesas, revela que o consumo regular de salmão é capaz de reduzir a pressão arterial. "O ômega-3 parece relaxar as células musculares nas paredes das artérias", explica o nutrólogo Celso Cukier, do Instituto de Metabolismo e Nutrição, em São Paulo. Daí o sangue passa por ali com maior facilidade, evitando a compressão dos vasos.

Outras propriedades do ácido graxo já são conhecidas de longa data. Uma das mais importantes é seu potencial de minimizar a ação de substâncias inflamatórias não somente no hipotálamo como em outras várias regiões do corpo. "Por esse motivo, ele é benéfico para pacientes que sofrem de asma ou problemas cardiovasculares e intestinais, como a colite", enumera Elisabeth Wazlawik.

Além disso, o ácido graxo favorece a regulação do sistema imunológico. "Acreditamos que ele tenha um papel na prevenção e no controle de doenças autoimunes, aquelas em que as células de defesa passam a atacar tecidos do próprio corpo", diz Cukier. É o caso da artrite reumatoide, cujos alvos são as articulações, e da psoríase, que agride a pele.

Ao que tudo indica, outras áreas do cérebro integram o rol dos protegidos pelo ômega-3. "Há dados que evidenciam a participação do óleo na produção de novos neurônios", afirma o neurologista Cícero Galli Coimbra. "Portanto, é bem-vindo nos casos de doenças neurodegenerativas, como o Parkinson e o Alzheimer". E Cukier acrescenta: "Ainda não sabemos o porquê, mas a gordura ômega-3 também ajudaria a espantar a depressão".

De igual modo, não podemos deixar de citar que estudos recentes relacionam a ingestão do ômega-3 à prevenção da osteoporose. A substância consegue inibir a ação de células associadas à perda de massa óssea. Estamos falando de mais de uma dezena de benefícios condensados em três simples porções semanais de filés de peixe deliciosos, diga-se de passagem, ou ainda 4 colheres de sopa de linhaça por dia.

Como se não fosse o bastante, agregando ainda mais benefícios ao quesito mental, sabe-se que a performance mental exige esse tipo específico de gordura, que é encontrado mais frequentemente em peixes, ou seja, os ácidos graxos ômega-3.
Os ácidos graxos ômega-3 além do já exposto, são conhecidos por serem componentes fundamentais da membrana externa das células cerebrais. E é justamente através dessa membrana que todos os sinais nervosos fluem. Então, a presença de ômega-3 cria um ambiente ideal para a troca rápida de "mensagens" entre as células do nosso cérebro. E caso o cérebro pare de receber ômega-3, ele procurará se adaptar a essa deficiência. Como consequência, ele ficará, digamos, "preguiçoso" e as respostas neurológicas passam a ser mais lentas. Quando esse comportamento é repetido dia-após-dia, o cérebro passa a encarar esse novo estado como sendo o seu novo padrão normal de funcionamento.
É aí que problemas de memória, alterações de humor e dificuldades de aprendizado podem se tornar questões frequentes.

Estudos mostram que o consumo regular de ômega-3 está também ligado aos seguintes benefícios:
·         boa concentração;
·         boa memória;
·         motivação;
·         boas habilidades motoras;
·         boa velocidade de reação;
·         neutralização do stress;

E mais uma vez, destacando suas fontes, as principais são os peixes de águas profundas e frias (salmão, atum, bacalhau, arenque, cavalinha, sardinha, truta) e os óleos de peixe.

Já para quem não gosta ou não inclui os peixes ou os óleos de peixe no cardápio, ou simplesmente para aqueles que desejam complementar ainda mais a dieta saudável, as sementes de linhaça e o óleo de linhaça são as melhores alternativas como fonte de ômega-3.

E lembre-se, consulte sempre o seu médico.

Dr. Saúde

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